{"id":10462,"date":"2019-03-02T06:00:30","date_gmt":"2019-03-02T06:00:30","guid":{"rendered":"http:\/\/cafebarbantia.barbantia.es\/?p=10462"},"modified":"2019-02-24T18:04:58","modified_gmt":"2019-02-24T18:04:58","slug":"diana-toucedo-em-tres-tempos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/cafebarbantia.barbantia.es\/?p=10462","title":{"rendered":"Diana Toucedo em tres tempos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/cafebarbantia.barbantia.es\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Diana-Toucedo-Trinta-Lumes.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignright size-medium wp-image-10463\" alt=\"Diana Toucedo - Trinta Lumes\" src=\"http:\/\/cafebarbantia.barbantia.es\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Diana-Toucedo-Trinta-Lumes-211x300.jpg\" width=\"211\" height=\"300\" srcset=\"http:\/\/cafebarbantia.barbantia.es\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Diana-Toucedo-Trinta-Lumes-211x300.jpg 211w, http:\/\/cafebarbantia.barbantia.es\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Diana-Toucedo-Trinta-Lumes-722x1024.jpg 722w, http:\/\/cafebarbantia.barbantia.es\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Diana-Toucedo-Trinta-Lumes.jpg 770w\" sizes=\"(max-width: 211px) 100vw, 211px\" \/><\/a><em><strong>Alberte Pag\u00e1n.\u00a0<\/strong><\/em>1. <i>Ser de luz<\/i> (2009, 5\u2019). Diana Toucedo pede-me que apadrinhe umha projec\u00e7om de <i>Trinta Lumes<\/i> na sala Numax. Aproveito para revisar a primeira pel\u00edcula que vim dela, <i>Ser de luz<\/i>, umha pe\u00e7a constru\u00edda com material alheo na que a luz, as superposi\u00e7ons e as transpar\u00eancias som protagonistas. As fontes originais das images som as abstrac\u00e7ons pintadas dos <i>Preludes 1-6<\/i> (Stan Brakhage, 1996); material etnogr\u00e1fico tirado de <i>Film ist.<\/i> (Gustav Deutsch, 2002), \u00e0 sua vez constru\u00edda a partir de metrage encontrada; e a cena do sonho de <i>El negro que ten\u00eda el alma blanca<\/i> (Benito Perojo, 1927), que Deutsch recolhe no cap\u00edtulo \u201cMagia\u201d da sua pel\u00edcula.<!--more--> <i>Ser de luz<\/i> \u00e9 cinema sobre o cinema, sobre a constru\u00e7om da image (e do som) e o seu materialismo, sobre a magia e mist\u00e9rio da representa\u00e7om mec\u00e1nica do movimento. Toucedo refilma algumhas das images desde um televisor granuloso, como se quigesse tender pontes entre a figura\u00e7om dessas images figurativas das primeiras d\u00e9cadas do cinema coas abstrac\u00e7ons de Brakhage. Pero <i>Ser de luz<\/i> vai al\u00e9m do exerc\u00edcio pl\u00e1stico para denunciar, atrav\u00e9s dumha meditada escolha de images, a opressom da mulher e o racismo etnogr\u00e1fico. \u00c9 assi que, do cap\u00edtulo \u201cConquista\u201d de <i>Film ist.<\/i>, retoma os retratos quase policiais dumhas mulheres africanas que posam ante a c\u00e1mara para serem fichadas e catalogadas (o cinemat\u00f3grafo, aliado da etnografia, como arma imperialista).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2. <i>En todas as mans<\/i> (2015, 115\u2019). A seguinte pel\u00edcula que conhecim de Toucedo foi <i>En todas as mans<\/i>, um document\u00e1rio mais acad\u00e9mico no que prima o contido (an\u00e1lise e reivindica\u00e7om da propriedade coletiva dos montes comunais) sobre a elabora\u00e7om formal: o cinema como ferramenta social e pol\u00edtica, a autoetnografia como \u00fanica antropologia v\u00e1lida. As associa\u00e7ons das comunidades de montes, as \u00fanicas existentes em tantas par\u00f3quias, vertebram a organiza\u00e7om social do territ\u00f3rio rural galego, criando din\u00e2micas coletivas. Todo vizinho ou vizinha dumha par\u00f3quia, a diferen\u00e7a dos propriet\u00e1rios de casas de verao, tem direito a essa propriedade comunal polo simples feito de ali viver. Segundo os estatutos, para adquirir esse direito as casas ham de estar \u201cabertas e com fume\u201d polo menos durante 10 meses ao ano. Som esses fumes, ou a sua escasseza, os que nos levam a <i>Trinta lumes<\/i>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3. <i>Trinta Lumes <\/i>(2018, 81\u2019). <i>Trinta lumes<\/i> combina a magia de <i>Ser de luz<\/i> coa realidade de <i>En todas as mans<\/i>: realismo m\u00e1gico. Seguindo umha frut\u00edfera veta ruralista presente no cinema galego (<i>Arraianos<\/i>, <i>Paris #1<\/i>, <i>A raia<\/i>, <i>Verengo<\/i>), Toucedo registra labouras, of\u00edcios e tarefas das gentes do Caurel, aquilo que constitui as suas economias familiares e industriais: apanham e vendem castanhas, mungem vacas, cocem pam, fam umha batida de ca\u00e7a, cortam pi\u00e7arra na f\u00e1brica. <a href=\"http:\/\/cafebarbantia.barbantia.es\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Diana-Toucedo.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-10464\" alt=\"Diana Toucedo\" src=\"http:\/\/cafebarbantia.barbantia.es\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Diana-Toucedo-300x168.jpg\" width=\"300\" height=\"168\" srcset=\"http:\/\/cafebarbantia.barbantia.es\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Diana-Toucedo-300x168.jpg 300w, http:\/\/cafebarbantia.barbantia.es\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Diana-Toucedo-1024x575.jpg 1024w, http:\/\/cafebarbantia.barbantia.es\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Diana-Toucedo-900x505.jpg 900w, http:\/\/cafebarbantia.barbantia.es\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Diana-Toucedo.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>\u00c9 umha autoetnografia consciente, umha olhada a n\u00f3s mesmos como povo, um saber mirarmo-nos e reconhecermo-nos nestes tempos de submissom pol\u00edtica. Por se ficavam d\u00favidas, Toucedo inclui umha seq\u00fc\u00eancia na que a mestra da escola explica ao seu reduzido alunado a mensage do hino galego e a ideologia de Pondal que, desde o nacionalismo como ferramenta para que \u201cnom nos roubem a identidade\u201d, fai um chamamento \u00e0 loita do povo contra a escravitude.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em <i>Trinta lumes<\/i> as aldeas baleiras e as paisages sem gente enchem-se de mist\u00e9rio. O vento zoa nas \u00e1rvores, a chuva peta nos telhados de pi\u00e7arra e a neve, como n\u2019<i>Os mortos<\/i> de James Joyce, \u201ccai levemente sobre todos os vivos e os mortos\u201d. Nas casas abandonadas os mortos convivem cos vivos. A fronteira entre este mundo e o al\u00e9m \u00e9 leviana. Alba, a protagonista, acaba cruzando-a. \u201c\u00c0s vezes abrem-se portas\u201d, di a narradora ao come\u00e7o, ao tempo que a paisage do Caurel, nesse mesmo momento, se enche de luz. A morte est\u00e1 onipresente, tanto desde a quotidianeidade (limpeza das l\u00e1pidas de cemit\u00e9rio, missa de defuntos, conversa sobre a prepara\u00e7om dos cad\u00e1veres, enterro) como desde o mito e a fic\u00e7om (relato de fantasmas, conto de mouras, pel\u00edcula de medo, caba\u00e7as da noite de defuntos, o ar dos falecidos). E os mortos, as mortas, ficar\u00e1m eternamente presentes nas velhas fotos que penduram das paredes das casas vazias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sobrenatural forma parte da paisage e da sociedade. A casa baleira \u00e9 o s\u00edmbolo da conviv\u00eancia (e da coniv\u00eancia) entre vivos e mortos, a ponte entre os dous mundos. Nela, na casa em ru\u00ednas, conflui todo, a arquitectura popular e a emigra\u00e7om, os mortos e os vivos, a demografia e o abandono do rural, o espa\u00e7o e o tempo. Como nas casas habitadas s\u00f3 por mulheres em <i>Homes<\/i> (Toucedo, 2016, 8\u2019), a presen\u00e7a dos ausentes sente-se em cada curruncho, em cada objeto, em cada pi\u00e7arra ca\u00edda. Em <i>Homes<\/i> os ausentes, esses homes nom presentes na image, regressam aos espa\u00e7os que viv\u00e9rom atrav\u00e9s das suas vozes, que som vozes prestadas de milicianos antifranquistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em <i>Trinta lumes<\/i> as diferentes cenas e seq\u00fc\u00eancias, que partem do realismo e semelham desconexas entre si (fam\u00edlia, nena, escola, adolescentes, trabalhadores, missa) vam encaixando pouco a pouco, como num quebra-cabe\u00e7as, gra\u00e7as a essa fic\u00e7om esva\u00edda que Toucedo introduz nas images e que funciona como o cordel que une as doas dum colar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alberte Pag\u00e1n.\u00a01. Ser de luz (2009, 5\u2019). 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