{"id":11849,"date":"2020-02-22T06:00:08","date_gmt":"2020-02-22T06:00:08","guid":{"rendered":"http:\/\/cafebarbantia.barbantia.es\/?p=11849"},"modified":"2020-02-17T07:52:29","modified_gmt":"2020-02-17T07:52:29","slug":"a-assepsia-do-mal-ou-a-culpa-de-quem-e","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/cafebarbantia.barbantia.es\/?p=11849","title":{"rendered":"A assepsia do mal ou A culpa de quem \u00e9?"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_11850\" aria-describedby=\"caption-attachment-11850\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/cafebarbantia.barbantia.es\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/1.-Fogo-inextingu\u00edvel.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-11850\" alt=\"As empresas como benefici\u00e1rias da guerra em Fogo inextingu\u00edvel.\" src=\"http:\/\/cafebarbantia.barbantia.es\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/1.-Fogo-inextingu\u00edvel-300x196.jpg\" width=\"300\" height=\"196\" srcset=\"http:\/\/cafebarbantia.barbantia.es\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/1.-Fogo-inextingu\u00edvel-300x196.jpg 300w, http:\/\/cafebarbantia.barbantia.es\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/1.-Fogo-inextingu\u00edvel-1024x671.jpg 1024w, http:\/\/cafebarbantia.barbantia.es\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/1.-Fogo-inextingu\u00edvel-900x589.jpg 900w, http:\/\/cafebarbantia.barbantia.es\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/1.-Fogo-inextingu\u00edvel.jpg 1370w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-11850\" class=\"wp-caption-text\">As empresas como benefici\u00e1rias da guerra em Fogo inextingu\u00edvel.<\/figcaption><\/figure>\n<p lang=\"es-ES-u-co-trad\" style=\"text-align: justify;\"><em><strong>Alberte Pagan.\u00a0<\/strong><\/em>Por que condenamos a morte ao soldado que, num conflito b\u00e9lico, se nega a obedecer?, ao que rompe a cadea de mando? Por que condenamos a morte a esse mesmo soldado quando, escravo da cadea de mando, obedece aplicadamente as ordes recebidas quando consideramos que essas ordes atentam contra a humanidade (lea-se ex\u00e9rcito <i>nazi<\/i>)?<!--more--><\/p>\n<p lang=\"es-ES-u-co-trad\" style=\"text-align: justify;\">\u201cA culpa de quem \u00e9? Dos que votam ao PP\u201d, berrava-se nas manifesta\u00e7ons de protesta contra a Administra\u00e7om (crise do Prestige, por exemplo). Algumha votante de dito partido, participante em dita manifesta\u00e7om, revira-se inc\u00f4moda: Que culpa podo ter eu?, pergunta-se, tentando desentender-se dessa cadea causal que, em pura l\u00f3gica, converte o seu voto em elemento imprescind\u00edvel para a presen\u00e7a no poder do partido no poder; como se nom houvesse nengumha rela\u00e7om entre o seu voto e o feito de que o governo criticado esteja formado polo partido votado.<\/p>\n<p lang=\"es-ES-u-co-trad\" style=\"text-align: justify;\">Umha empresa que vende plataformas porta-metralhadoras a Ar\u00e1bia Saudita argumenta que nom est\u00e1 a infringir o embargo de armas porque as plataformas em si nom disparam e por tanto nom som armas <i>stricto sensu<\/i>. Os fabricantes dos parafusos utilizados nas metralhadoras poderiam utilizar os mesmos argumentos sem ruborizar-se.<\/p>\n<p lang=\"es-ES-u-co-trad\" style=\"text-align: justify;\">Na imprescind\u00edvel pel\u00edcula <i>Nicht l\u00f6schbares Feuer<\/i> (<i>Fogo inextingu\u00edvel<\/i>, 1969) Harun Farocki den\u00fancia a guerra sobre Vietnam e o uso de napalm, esse \u201clume inextingu\u00edvel\u201d que se pega \u00e0 pel humana e arde a 3000\u00ba C durante horas e horas. Farocki vai al\u00e9m do antimilitarismo para denunciar os benef\u00edcios capitalistas das empresas que fabricam estas armas qu\u00edmicas (Dow Chemical), o hip\u00f3crita arrependimento dos cient\u00edficos que ide\u00e1rom as armas que arras\u00e1rom Hiroshima e Vietnam (\u201cDEMASIADO TARDE\u201d: quando o napalm come\u00e7a a arder nom h\u00e1 modo de apag\u00e1-lo; devemos elimin\u00e1-lo de raiz, ou seja, na f\u00e1brica) e, finalmente, a responsabilidade de todas e cada umha das persoas que formam parte da cadea de fabrica\u00e7om das armas. Na met\u00e1fora final do filme o obreiro dumha f\u00e1brica de aspiradoras est\u00e1 convencido de que na realidade o que est\u00e1 a fabricar som metralhetas.<\/p>\n<figure id=\"attachment_11851\" aria-describedby=\"caption-attachment-11851\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/cafebarbantia.barbantia.es\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/2.-Paci\u00eancia.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-11851\" alt=\"A janela pechada para ocultar a verdade em Paci\u00eancia.\" src=\"http:\/\/cafebarbantia.barbantia.es\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/2.-Paci\u00eancia-300x225.jpg\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"http:\/\/cafebarbantia.barbantia.es\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/2.-Paci\u00eancia-300x225.jpg 300w, http:\/\/cafebarbantia.barbantia.es\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/2.-Paci\u00eancia.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-11851\" class=\"wp-caption-text\">A janela pechada para ocultar a verdade em Paci\u00eancia.<\/figcaption><\/figure>\n<p lang=\"es-ES-u-co-trad\" style=\"text-align: justify;\">A singulariza\u00e7om das fun\u00e7ons laborais (<i>taylorismo<\/i> ou organiza\u00e7om racional do trabalho, que tam bem imitou o Terceiro Reich) impede-lhe umha visom global do objecto fabricado. Cada quem fabrica um elemento da pe\u00e7a final sem necessidade de saber qual \u00e9 essa pe\u00e7a final. A efic\u00e1cia \u00e9 total: bombas fabricadas por persoal laboral que nom sabe (que nom quer saber) que est\u00e1 a fabricar bombas. A culpa de quem \u00e9?<\/p>\n<p lang=\"es-ES-u-co-trad\" style=\"text-align: justify;\">Na pel\u00edcula de L\u00e1szl\u00f3 Nemes <i>T\u00fcrelem <\/i>(<i>Paci\u00eancia<\/i>, 2007) um \u00fanico plano seq\u00fc\u00eancia acompanha a banal, mon\u00f3tona e ass\u00e9ptica jornada laboral dumha eficiente oficinista. S\u00f3 quando assoma \u00e0 janela intu\u00edmos o lugar no que, para o que, trabalha: fora, umha mulher chora e suplica cos olhos; um home com camisa listrada achega-se a ela; finalmente entram em quadro soldados, cans e umha ringleira de persoas espidas fazendo cola para a morte. Por\u00e9m \u00e0 oficinista semelha s\u00f3 interessar-lhe um cruze de miradas co elegante oficial que passa por diante dela. A mulher pecha a janela e regressa ao escrit\u00f3rio e \u00e0 \u201cbanalidade\u201d do seu trabalho, deixando do lado de fora a inassum\u00edvel realidade do seu labor. Como culpar a umha simples administrativa dos males cometidos pola sua empresa? A menos que essa empresa seja um campo de exterm\u00ednio <i>nazi<\/i> e o trabalho da mulher consista em administrar a morte. A m\u00fasica do fon\u00f3grafo tapa os berros do exterior. A culpa de quem \u00e9?<\/p>\n<p lang=\"es-ES-u-co-trad\" style=\"text-align: justify;\">Quando se estreou <i>Timbuktu<\/i> (<a href=\"https:\/\/es.wikipedia.org\/wiki\/Abderrahmane_Sissako\">Abderrahmane Sissako<\/a>, 2014) parte do p\u00fablico ficou decepcionado pola \u201cbondade\u201d coa que o cineasta retrata os jihadistas (o grupo <a href=\"https:\/\/es.wikipedia.org\/wiki\/Ansar_Dine\">Ansar Dine<\/a>) que ocupam a cidade maliana para impor a sua <i>x\u00e1ria<\/i>. A pel\u00edcula fracassa, diziam, porque nom \u00e9 suficientemente dura contra eles, nom os condena <i>inequivocamente<\/i>. Afeitas ao manique\u00edsmo da fic\u00e7om comercial, na que o \u201cmau\u201d nom s\u00f3 h\u00e1 de ser mau senom parec\u00ea-lo, e o \u201cbom\u201d h\u00e1 de ser bom sem tacha, a estas persoas chocava-lhes comprovar que o mal \u00e9 implantado por homes comuns, correntes e banais que, nas suas cren\u00e7as religiosas, em verdade crem que est\u00e1m a fazer o correcto.<\/p>\n<figure id=\"attachment_11852\" aria-describedby=\"caption-attachment-11852\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/cafebarbantia.barbantia.es\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/3.-Timbuktu.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-11852\" alt=\"F\u00fatbol imagin\u00e1rio em Timbuktu.\" src=\"http:\/\/cafebarbantia.barbantia.es\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/3.-Timbuktu-300x161.jpg\" width=\"300\" height=\"161\" srcset=\"http:\/\/cafebarbantia.barbantia.es\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/3.-Timbuktu-300x161.jpg 300w, http:\/\/cafebarbantia.barbantia.es\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/3.-Timbuktu.jpg 660w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-11852\" class=\"wp-caption-text\">F\u00fatbol imagin\u00e1rio em Timbuktu.<\/figcaption><\/figure>\n<p lang=\"es-ES-u-co-trad\" style=\"text-align: justify;\">Em Tombuctu entra em vigor a lei isl\u00e2mica e pro\u00edbe-se a m\u00fasica, o riso, os jogos de pelota (impressionante a seq\u00fc\u00eancia na que um fato de crian\u00e7as jogam cum balom imagin\u00e1rio), o alcool, o tabaco e a pel nua. Som leis est\u00fapidas (obrigam a umha pesca a manipular o peixe com luvas), mas som as leis imperantes. \u00c0 audi\u00eancia surprende-lhes a amabilidade coa que o grupo isl\u00e2mico trata um ref\u00e9m ocidental; ou a comprensom do juiz (que \u00e9 \u201cum home justo\u201d) polas circunst\u00e2ncias do protagonista, acusado de homic\u00eddio. Mesmo a parelha ad\u00faltera, enterrada at\u00e9 o pesco\u00e7o e lapidada, desfruta de todas as garantias jur\u00eddicas. Mas os funcion\u00e1rios e a pol\u00edcia isl\u00e2mica que se esmeram em fazer cumprir as leis som os primeiros em fumar \u00e0s agachadas ou louvar os seus futbolistas favoritos. Sem o elo do funcionariado, desse grupo de boas persoas que <i>simplesmente<\/i> se limitam a fazer cumprir a lei, a cadea da opressom escacharia. \u201cH\u00e1 que cumprir a lei\u201d, afirmam, sem preocupar-se de mirar se a lei \u00e9 justa. Tem que aceitar a lei o objector que se nega a fazer o servi\u00e7o militar?, a mulher que nom pode votar ou conduzir um ve\u00edculo?, o home que ama outro home ao que lhe dim que o seu amor \u00e9 delito?, a escrava que fuge do amo violador e assassino porque fugir \u00e9 delito quando a lei sanciona o escravismo? \u201cQuem nom cumpre a lei \u00e9 um delinq\u00fcente que deve pagar polo seu delito\u201d. Assi pag\u00e1rom Mandela, King ou Gandhi (condenado por <i>sedi\u00e7om<\/i>). Se nom houvesse ningu\u00e9m que arriscasse a liberdade e mesmo a vida por loitar contra as leis injustas seguir\u00edamos co c\u00f3digo penal da pr\u00e9-hist\u00f3ria. \u201cEu nom figem as leis\u201d, argumenta o funcion\u00e1rio. E toda a gente imb\u00e9cil e escura corea: \u201cAs leis est\u00e1m para cumpri-las. Se nom gostas delas, c\u00e1mbia-as\u201d. E o funcion\u00e1rio, a administrativa e o chefe de empresa assentem convencidos, sem serem conscientes de que o primeiro passo para cambi\u00e1-las \u00e9 desobedec\u00ea-las. A culpa de quem \u00e9?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alberte Pagan.\u00a0Por que condenamos a morte ao soldado que, num conflito b\u00e9lico, se nega a obedecer?, ao que rompe a cadea de mando? 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