{"id":14384,"date":"2022-03-09T06:00:26","date_gmt":"2022-03-09T06:00:26","guid":{"rendered":"http:\/\/cafebarbantia.barbantia.es\/?p=14384"},"modified":"2022-03-07T08:03:39","modified_gmt":"2022-03-07T08:03:39","slug":"o-mundo-feminino-de-graham-rawle","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/cafebarbantia.barbantia.es\/?p=14384","title":{"rendered":"O &#8220;Mundo feminino&#8221; de Graham Rawle"},"content":{"rendered":"<p lang=\"es-ES-u-co-trad\" align=\"justify\"><em><strong><a href=\"http:\/\/cafebarbantia.barbantia.es\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Graham-Rawle-Womans-World-portada.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignright size-medium wp-image-14385\" alt=\"Graham Rawle - Woman's World portada\" src=\"http:\/\/cafebarbantia.barbantia.es\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Graham-Rawle-Womans-World-portada-201x300.jpg\" width=\"201\" height=\"300\" srcset=\"http:\/\/cafebarbantia.barbantia.es\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Graham-Rawle-Womans-World-portada-201x300.jpg 201w, http:\/\/cafebarbantia.barbantia.es\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Graham-Rawle-Womans-World-portada-686x1024.jpg 686w, http:\/\/cafebarbantia.barbantia.es\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Graham-Rawle-Womans-World-portada-900x1342.jpg 900w, http:\/\/cafebarbantia.barbantia.es\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Graham-Rawle-Womans-World-portada.jpg 1716w\" sizes=\"(max-width: 201px) 100vw, 201px\" \/><\/a>Alberte Pag\u00e1n.\u00a0<\/strong><\/em>O meu primeiro encontro com a obra de Graham Rawle tivo lugar nos anos noventa no <i>Weekend Guardian<\/i>, no que publicava semanalmente as suas bem-sucedidas <i>Lost Consonants<\/i>. Estas vinhetas c\u00f3micas, sustentadas em jogos de palavras e de imagens e ideais para a aprendizage do idioma, bebem dumha longa tradi\u00e7om humor\u00edstica na literatura em ingl\u00eas que nace dos calembures de Shakespeare e desemboca nos trocadilhos a grande escala de <i>Finnegans Wake<\/i>, passando polas palavras h\u00edbridas e acr\u00f3nimos de Lewis Carroll. As suas posteriores <i>Bright Ideas<\/i>, publicadas em <i>The Times<\/i>, continuam esta veta de engenho e humor inteligente.<!--more--><\/p>\n<p lang=\"es-ES-u-co-trad\" align=\"justify\">Quando lim o romance <i>Woman\u2019s World<\/i> (2005) de Rawle pensei em <i>Finnegans Wake<\/i> e na p\u00e1gina \u201cTunc\u201d do Livro de Kells, na que a forma (a imagem) parece querer ocultar o contido, na que as dificuldades da leitura formam parte do significado, na que fundo e forma som um tudo indissol\u00favel. Nesse senso a metafic\u00e7om de Rawle irmana-se com <i>A Humument<\/i> de Tom Phillips, que igualmente parte dum texto alheo que o autor \u201ctrata\u201d graficamente. Tanto Phillips como Rawle som artistas gr\u00e1ficos que \u201cescrevem\u201d com palavras que nom lhes pertencem.<\/p>\n<p lang=\"es-ES-u-co-trad\" align=\"justify\">Para a escritura das 437 p\u00e1ginas de <i>Woman\u2019s World<\/i> o autor recortou 40.000 fragmentos (palavras, frases, n\u00fameros, imagens) de centos de revistas femininas de princ\u00edpios dos anos 1960 que foi colando meticulosamente, respeitando tamanhos e fontes, para a constru\u00e7om dos seus par\u00e1grafos. Com essas tesselas Rawle redigiu umha narra\u00e7om que tinha esbo\u00e7ada ao jeito tradicional. Indubitavelmente a origem das palavras deixa umha funda pegada no relato, transformando-o ao tempo que os voc\u00e1bulos se deixam transformar por el. A t\u00e9cnica nom deixa de ser similar ao processo de \u201ccortado\u201d elaborado por William Burroughs, ainda que o resultado final, que aspira a umha narra\u00e7om fluida, difira do estilo das novelas do escritor estadunidense, nas que as costuras narrativas som evidentes.<\/p>\n<p lang=\"es-ES-u-co-trad\" align=\"justify\"><i><a href=\"http:\/\/cafebarbantia.barbantia.es\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Graham-Rawle-Womans-World-p-6.png\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-14386\" alt=\"Graham Rawle - Woman's World p 6\" src=\"http:\/\/cafebarbantia.barbantia.es\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Graham-Rawle-Womans-World-p-6-179x300.png\" width=\"179\" height=\"300\" srcset=\"http:\/\/cafebarbantia.barbantia.es\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Graham-Rawle-Womans-World-p-6-179x300.png 179w, http:\/\/cafebarbantia.barbantia.es\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Graham-Rawle-Womans-World-p-6-614x1024.png 614w, http:\/\/cafebarbantia.barbantia.es\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Graham-Rawle-Womans-World-p-6.png 695w\" sizes=\"(max-width: 179px) 100vw, 179px\" \/><\/a>Woman\u2019s World<\/i> \u00e9 umha obra visual. Mesmo os n\u00fameros dos cap\u00edtulos e os de p\u00e1gina, \u00e0s vezes em letras, som recortes colados. Muito do vocabul\u00e1rio do romance procede da publicidade das revistas, assi como as ilustra\u00e7ons (casa, cam, batom, pneum\u00e1tico, saia, concurso de beleza, aviom, l\u00e1bios, orelha&#8230;) que expandem a narra\u00e7om. E a linguage publicit\u00e1ria integra-se no relato com humor, bem citando nomes comerciais (\u201cMaravilhosos Estropalhos Brillo para a cozinha, as janelas, o vertedeiro e o escorredor. No fundo da sua mente . . . <i>limpeza!<\/i> E isso acontece com todas as mulheres\u201d, p. 5; \u201cmascando goma Wrigley sabor a menta\u201d, p. 111), bem interrompendo a ac\u00e7om para introduzir \u201cconselhos publicit\u00e1rios\u201d ou sugestons sobre sa\u00fade e alimenta\u00e7om. Por exemplo, na p. 259 menciona-se um carro Ford Anglia e de seguida a linguage comercial fai-se ouvir: \u201cO novo Ford Anglia \u00e9 um carro popular, razoou, do que desfrutam muitas fam\u00edlias por todo o pa\u00eds\u201d. Na p. 305 a preocupa\u00e7om de Eve pola rea\u00e7om de Roy, o protagonista, que achaca ao estado da pintura nos seus l\u00e1bios, d\u00e1 entrada \u00e0 l\u00edngua comercial: \u201cEm Hollywood (onde o rosto dumha mo\u00e7a \u00e9 a sua fortuna), o Vermelho Lume-no-Soto, o sensacional novo batom com \u2018Acabado de P\u00e9tala\u2019 de Yardley, est\u00e1 a ser louvado polas mais fermosas damas, e tornar\u00e1 os teus l\u00e1bios jovens, alegres e sedutores\u201d.<\/p>\n<p lang=\"es-ES-u-co-trad\" align=\"justify\">Mas nom deixemos que o aspecto visual e c\u00f3mico do romance nos faga esquecer a trama. Nas primeiras p\u00e1ginas \u00e9 inevit\u00e1vel que a vista se centre na constru\u00e7om material do romance mas, como acontece com a p\u00e1gina \u201cTunc\u201d, temos que atravessar a disposi\u00e7om gr\u00e1fica para acedermos ao contido narrativo. E mui pronto este relato de travestismo, traumas familiares e assassinato (suspeito), com toda a sua riqueza e giros inesperados, fai-nos esquecer o formato e avan\u00e7amos p\u00e1gina ap\u00f3s p\u00e1gina sem sermos conscientes (e isso \u00e9 grande m\u00e9rito) da enorme variedade de fontes, tamanhos, formatos e proced\u00eancias.<\/p>\n<p lang=\"es-ES-u-co-trad\" align=\"justify\"><a href=\"http:\/\/cafebarbantia.barbantia.es\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Graham-Rawle-Womans-World-p-414.png\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignright size-medium wp-image-14387\" alt=\"Graham Rawle - Woman's World p 414\" src=\"http:\/\/cafebarbantia.barbantia.es\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Graham-Rawle-Womans-World-p-414-179x300.png\" width=\"179\" height=\"300\" srcset=\"http:\/\/cafebarbantia.barbantia.es\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Graham-Rawle-Womans-World-p-414-179x300.png 179w, http:\/\/cafebarbantia.barbantia.es\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Graham-Rawle-Womans-World-p-414-614x1024.png 614w, http:\/\/cafebarbantia.barbantia.es\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Graham-Rawle-Womans-World-p-414.png 695w\" sizes=\"(max-width: 179px) 100vw, 179px\" \/><\/a>O romance est\u00e1 narrado em primeira persoa por Norma, que j\u00e1 na primeira p\u00e1gina nos apresenta o seu irmao Roy e a empregada dom\u00e9stica Mary. Numha segunda leitura, necess\u00e1ria para apreciarmos os matizes dumha trama complexa e inesperada, descobrimos pormenores que nos passaram despercebidos: sem sairmo-nos da primeira p\u00e1gina topamos com umha frase significativa: \u201cE eu nom som realmente mui diferente de outras mulheres.\u201d Porque Norma realmente \u00e9 Roy, um Roy travestido, a versom feminina de Roy, um desdobre de Roy. E a empregada Mary, que surpreendentemente tem autoridade sobre Norma (pro\u00edbe-lhe sair \u00e0 rua e mesmo assomar-se \u00e0 janela), resulta ser a mai protetora. Quando a vizinhan\u00e7a v\u00ea Norma recolher o correo na porta a mai Mary h\u00e1 de justificar a sua presen\u00e7a como sobrinha de visita.<\/p>\n<p lang=\"es-ES-u-co-trad\" align=\"justify\">Numha das nom permitidas sa\u00eddas de Norma um tal senhor Hands promete-lhe umha sessom fotogr\u00e1fica. Quando descobre que a fotografia nom \u00e9 mais que umha escusa para o assalto sexual, Norma foge golpeando o home e deixando-o por morto. No entanto Roy come\u00e7a umha rela\u00e7om com Eve. Finalmente, como em bom melodrama, Norma deixa de ser para permitir a felicidade do seu irmao. Mas nom esque\u00e7amos que quem narra esta felicidade \u00e9 a pr\u00f3pria Norma, que segue a habitar a mente de Roy.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alberte Pag\u00e1n.\u00a0O meu primeiro encontro com a obra de Graham Rawle tivo lugar nos anos noventa no Weekend Guardian, no que publicava semanalmente as suas bem-sucedidas Lost Consonants. 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