{"id":3490,"date":"2015-05-12T06:00:33","date_gmt":"2015-05-12T06:00:33","guid":{"rendered":"http:\/\/cafebarbantia.barbantia.es\/?p=3490"},"modified":"2015-05-07T09:25:29","modified_gmt":"2015-05-07T09:25:29","slug":"kobo-abe-e-o-cinema","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/cafebarbantia.barbantia.es\/?p=3490","title":{"rendered":"K\u00f4b\u00f4 Abe e o cinema"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_3491\" aria-describedby=\"caption-attachment-3491\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/cafebarbantia.barbantia.es\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/Kobo-Abe-1-O-Rosto-de-outrem.png\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-3491\" alt=\"O rosto de outrem: Multiplica\u00e7om das caras durante os cr\u00e9ditos\" src=\"http:\/\/cafebarbantia.barbantia.es\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/Kobo-Abe-1-O-Rosto-de-outrem-300x219.png\" width=\"300\" height=\"219\" srcset=\"http:\/\/cafebarbantia.barbantia.es\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/Kobo-Abe-1-O-Rosto-de-outrem-300x219.png 300w, http:\/\/cafebarbantia.barbantia.es\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/Kobo-Abe-1-O-Rosto-de-outrem.png 656w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-3491\" class=\"wp-caption-text\">O rosto de outrem: Multiplica\u00e7om das caras durante os cr\u00e9ditos<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b><i>Alberte Pag\u00e1n<\/i><\/b>. Cheguei \u00e0 literatura de K\u00f4b\u00f4 Abe atrav\u00eas do cinema de Hiroshi Teshigahara. A sua pel\u00edcula <i>Suna no onna <\/i>(<i>A mulher das dunas<\/i>, 1963) impressionara-me pola for\u00e7a das images e o alcance surrealista e kafkiano do relato. Quando anos despois adquirim, na ilha de Mo\u00e7ambique, a novela na que se basea, pudem comprovar a energia dum grande novelista: K\u00f4b\u00f4 Abe sabe combinar surrealismo e realidade, fantasia e cr\u00edtica social, narra\u00e7om e filosofia, Beckett e Kafka, dum jeito \u00fanico.<!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta mistura improv\u00e1vel de cr\u00edtica social e fantasmagoria \u00e9 mais \u00f3bvia em <i>Otoshiana<\/i> (<i>A trampa<\/i>, 1962), outra pel\u00edcula de Teshigahara com guiom e argumento de Abe na que um assassinato pol\u00edtico, no mundo sindical mineiro, d\u00e1 p\u00e9 a um giro fant\u00e1stico: o realismo mais sujo in\u00e7a-se de pronto de mortos que caminham entre os vivos, sem possibilidade de comunica\u00e7om entre eles.<\/p>\n<figure id=\"attachment_3492\" aria-describedby=\"caption-attachment-3492\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/cafebarbantia.barbantia.es\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/Kobo-Abe-2-O-rosto-de-outrem-Lab.png\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-3492\" alt=\"Kobo Abe 2 - O rosto de outrem Lab\" src=\"http:\/\/cafebarbantia.barbantia.es\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/Kobo-Abe-2-O-rosto-de-outrem-Lab-300x225.png\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"http:\/\/cafebarbantia.barbantia.es\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/Kobo-Abe-2-O-rosto-de-outrem-Lab-300x225.png 300w, http:\/\/cafebarbantia.barbantia.es\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/Kobo-Abe-2-O-rosto-de-outrem-Lab.png 720w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-3492\" class=\"wp-caption-text\">O rosto de outrem: Laborat\u00f3rio desenhado por Arata Isozaki<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">A minha terceira parada no tandem Teshigahara-Abe foi <i>Tanin no kao<\/i> (<i>O rosto de outrem<\/i>, 1966), programada recentemente no Cineclube de Compostela. Um home desfigurado busca a ajuda dum cirurgi\u00e1m para fazer-se umha m\u00e1scara humana que o reconc\u00edlie coa sociedade e, sobre todo, coa sua esposa. As conversas entre m\u00e9dico e paciente est\u00e1m enchidas de considera\u00e7ons filos\u00f3ficas sobre a identidade humana, sobre as variadas m\u00e1scaras que utilizamos (a maquilhage entre elas) e sobre os perigos de que o paciente desapare\u00e7a fagocitado pola m\u00e1scara, de que a identidade da m\u00e1scara anule e substitua a identidade da persoa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>O rosto de outrem<\/i> impressiona polos coidados e intensos enquadres, que lembram os d\u2019<i>A mulher das dunas<\/i>. O in\u00edcio de ambas pel\u00edculas \u00e9 formalmente similar, ainda que as implica\u00e7ons sem\u00e1nticas sejam opostas: a primeira come\u00e7a cumha parelha de rostos humanos que se vam afastando at\u00e9 que a pantalha se enche de min\u00fasculas caras; a segunda come\u00e7a com planos de detalhe de graus de area, que igualmente se afastam at\u00e9 converterem-se em simplesmente area.<\/p>\n<figure id=\"attachment_3493\" aria-describedby=\"caption-attachment-3493\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/cafebarbantia.barbantia.es\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/Kobo-Abe-3-O-rostro-de-outrem-Arata-Isozaki.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-3493 \" alt=\"O rosto de outrem: Laborat\u00f3rio desenhado por Arata Isozaki\" src=\"http:\/\/cafebarbantia.barbantia.es\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/Kobo-Abe-3-O-rostro-de-outrem-Arata-Isozaki-300x227.jpg\" width=\"300\" height=\"227\" srcset=\"http:\/\/cafebarbantia.barbantia.es\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/Kobo-Abe-3-O-rostro-de-outrem-Arata-Isozaki-300x227.jpg 300w, http:\/\/cafebarbantia.barbantia.es\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/Kobo-Abe-3-O-rostro-de-outrem-Arata-Isozaki.jpg 662w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-3493\" class=\"wp-caption-text\">O rosto de outrem: Laborat\u00f3rio desenhado por Arata Isozaki<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">No primeiro caso, passamos dumha realidade identific\u00e1vel (dous rostos) a umha massa abstracta de caras dificilmente reconhec\u00edveis; no segundo, os irrealmente ampliados graus de area s\u00f3 os identificamos como tais quando a c\u00e1mara se afasta o suficiente para deixar-nos ver a \u201carea\u201d como massa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quigem duplicar o prazer do relato, como figera com <i>A mulher das dunas<\/i>, e merquei a novela de Abe. Imaginava que a riqueza filos\u00f3fica da pel\u00edcula se repetiria, potenciada, no texto liter\u00e1rio. Nom sei se podo falar de decep\u00e7om, mas o livro de Abe nom chega \u00e0s alturas expressivas, e mesmo narrativas, da pel\u00edcula. Os tres cadernos que o protagonista e narrador da novela deixa para a sua mulher nom chegam \u00e0 intensidade e ao terror das images de Teshigahara. A narra\u00e7om cinematogr\u00e1fica mesmo se enriquece com a cria\u00e7om do cirurgi\u00e1m (ausente na novela: o pr\u00f3prio protagonista \u00e9 o fabricante da m\u00e1scara) e a intercala\u00e7om dumha narra\u00e7om secund\u00e1ria (a trag\u00e9dia dumha fermosa mo\u00e7a desfigurada pola bomba at\u00f3mica), que na novela se reduz ao argumento dumha pel\u00edcula recolhido numha m\u00e9dia d\u00fazia de p\u00e1ginas.<\/p>\n<figure id=\"attachment_3494\" aria-describedby=\"caption-attachment-3494\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/cafebarbantia.barbantia.es\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/Kobo-Abe-4-O-Rosto-de-outrem-Terror.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-3494 \" alt=\"O rosto de outrem: O terror das massas sem rosto\" src=\"http:\/\/cafebarbantia.barbantia.es\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/Kobo-Abe-4-O-Rosto-de-outrem-Terror-300x218.jpg\" width=\"300\" height=\"218\" srcset=\"http:\/\/cafebarbantia.barbantia.es\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/Kobo-Abe-4-O-Rosto-de-outrem-Terror-300x218.jpg 300w, http:\/\/cafebarbantia.barbantia.es\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/Kobo-Abe-4-O-Rosto-de-outrem-Terror-1024x744.jpg 1024w, http:\/\/cafebarbantia.barbantia.es\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/Kobo-Abe-4-O-Rosto-de-outrem-Terror-900x654.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-3494\" class=\"wp-caption-text\">O rosto de outrem: O terror das massas sem rosto<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">A presen\u00e7a do cirugi\u00e1m permite ricos debates filos\u00f3ficos, mas tam\u00e9m leva a narra\u00e7om por outras derrotas. Os impulsos assassinos da \u201cm\u00e1scara\u201d desabafam-se nel, e o seu laborat\u00f3rio \u00e9 um logro de surrealismo e expressionismo visual. Desenhados polo arquitecto Arata Isozaki (conhecido entre n\u00f3s por ser o criador do Domus corunh\u00eas e o autor dos poemas que pontuam a pel\u00edcula de Taka Iimura <i>Ma: Space\/Time in the Garden of Ryoan-Ji<\/i>), os debuxos, as pr\u00f3teses e os duchampianos biombos transparentes que decoram o laborat\u00f3rio contribuem em grande medida ao \u00e9xito visual do filme.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pel\u00edcula \u00e9 definitivamente melhor que a novela, mas temos que lembrar que se basea num guiom do pr\u00f3prio novelista. Abe tivo a rara oportunidade de reescrever a sua novela e, neste caso, convertida em guiom, podemos afirmar que a melhorou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alberte Pag\u00e1n. Cheguei \u00e0 literatura de K\u00f4b\u00f4 Abe atrav\u00eas do cinema de Hiroshi Teshigahara. 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