Arquivos da categoría Alberte Pagán

Diana Toucedo em tres tempos

Diana Toucedo - Trinta LumesAlberte Pagán. 1. Ser de luz (2009, 5’). Diana Toucedo pede-me que apadrinhe umha projecçom de Trinta Lumes na sala Numax. Aproveito para revisar a primeira película que vim dela, Ser de luz, umha peça construída com material alheo na que a luz, as superposiçons e as transparências som protagonistas. As fontes originais das images som as abstracçons pintadas dos Preludes 1-6 (Stan Brakhage, 1996); material etnográfico tirado de Film ist. (Gustav Deutsch, 2002), à sua vez construída a partir de metrage encontrada; e a cena do sonho de El negro que tenía el alma blanca (Benito Perojo, 1927), que Deutsch recolhe no capítulo “Magia” da sua película. Continue reading Diana Toucedo em tres tempos

Narrativas erosionadas: Maurice Blanchot visto por Gary Hill

Thomas l’osbcure, de Maurice Blanchot.

Thomas l’osbcure, de Maurice Blanchot.

Alberte Pagán. Thomas o Obscuro (Maurice Blanchot, 1941) é umha novela ontológica sem argumento e sem personages, porque o Thomas do título nom existe ao tempo que é todos os homes e todas as criaturas, um ser proteico que pode cessar de ser humano para se converter em gato; e Anne é, pode ser, um desdobramento de Thomas que existe e nom existe, aranha e mulher, ela e a sua mai a um tempo. Anne aparece quando Thomas morre, quiçá el morre para que ela naza. Quando Thomas morre converte-se no cadáver de toda a humanidade. Nom som, ao tempo que existo, di Thomas. Penso, e portanto nom som. Thomas é um ser sem cabeça e sem braços e sem presença, cumha absoluta ausência de desejo. Continue reading Narrativas erosionadas: Maurice Blanchot visto por Gary Hill

“Famadihana”, a volteadura dos ossos

Estaçom de trem de Antsirabe

Estaçom de trem de Antsirabe

Alberte Pagán. Nom existe umha teleologia da vida. A nossa existência nom tem mais sentido que a de umha pinga de água caindo na montanha. Mas certas gentes insistem em pregarem desígnios cósmicos para essa pobre gota, convertendo-a em mensageira divina à que se lhe adjudica a missom de regar e fomentar a vida na floresta. Continue reading “Famadihana”, a volteadura dos ossos

A semente mais erótica

Inflorescência masculina e fruto feminino na porta duns banhos na Côte d’or de Praslin.

Inflorescência masculina e fruto feminino na porta duns banhos na Côte d’or de Praslin.

Alberte Pagán. Nas ilhas de Maldiva nasce a planta/No profundo das águas, soberana,/Cujo pomo contra o veneno urgente/É tido por antídoto excelente. Assi descreve Luís de Camões, nos Lusíadas (canto X, estrofe 136), esse estranho e cotizado fruto (“pomo”) que hoje chamamos coco-do-mar ou coco duplo e que crece unicamente em Praslin e Curieuse, duas ilhas do arquipélago das Seychelles. Mas quando Camões fazia a sua descriçom do mundo conhecido as Seychelles, desabitadas, estavam ainda por descobrir. Continue reading A semente mais erótica