Arquivos da categoría Alberte Pagán

“Famadihana”, a volteadura dos ossos

Estaçom de trem de Antsirabe

Estaçom de trem de Antsirabe

Alberte Pagán. Nom existe umha teleologia da vida. A nossa existência nom tem mais sentido que a de umha pinga de água caindo na montanha. Mas certas gentes insistem em pregarem desígnios cósmicos para essa pobre gota, convertendo-a em mensageira divina à que se lhe adjudica a missom de regar e fomentar a vida na floresta. Continue reading “Famadihana”, a volteadura dos ossos

A semente mais erótica

Inflorescência masculina e fruto feminino na porta duns banhos na Côte d’or de Praslin.

Inflorescência masculina e fruto feminino na porta duns banhos na Côte d’or de Praslin.

Alberte Pagán. Nas ilhas de Maldiva nasce a planta/No profundo das águas, soberana,/Cujo pomo contra o veneno urgente/É tido por antídoto excelente. Assi descreve Luís de Camões, nos Lusíadas (canto X, estrofe 136), esse estranho e cotizado fruto (“pomo”) que hoje chamamos coco-do-mar ou coco duplo e que crece unicamente em Praslin e Curieuse, duas ilhas do arquipélago das Seychelles. Mas quando Camões fazia a sua descriçom do mundo conhecido as Seychelles, desabitadas, estavam ainda por descobrir. Continue reading A semente mais erótica

A música mecánica de Pierre Bastien

O mecano de Bastien em descanso

O mecano de Bastien em descanso

Alberte Pagán. O 12 de maio passado o músico francês Pierre Bastien actuou no Liceo Mutante de Pontevedra. O elemento visual é tam importante nas actuaçons de Bastien que chega a ser imprescindível. A sua música mecânica funciona melhor em directo, quando vemos o que escoitamos e escoitamos o que vemos. Continue reading A música mecánica de Pierre Bastien

A aldea na selva, de Leonard Woolf e a novela colonial britânica

A aldea na selvaAlberte Pagán. Quiçá a obra mais conhecida da literatura colonial britânica seja a Passage para a Índia (1924) de E. M. Foster, que tira o seu título do poema homônimo de Walt Whitman. Nela, umha moça inglesa de visita na Índia acusa de assalto sexual a um médico índio que a acompanha numha excursom. Esta falsa denúncia desencadea os prejuízos e rompe as frágeis relaçons raciais entre a cidadania índia e os colonizadores britânicos. Porém, a crítica política está ausente e a novela nom é quem de condenar o imperialismo do Reino Unido. No ano da publicaçom de Passage para a Índia George Orwell servia como polícia na Birmânia, daquela integrada administrativamente na Índia ocupada.

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