Chiwoniso Maraire

ChiwonisoAlberte Pagán. O 11 de julho de 2006 aterrei em Harare. Após buscar hotel e descansar da viage acheguei-me a umha cafetaria do centro, a Jazz 105, da que me faria asíduo. No jornal que lia entanto ceava anunciava-se um concerto dumha tal Chiwoniso Maraire para essa mesma noite no Book Café, local que tamém acabaria freqüentando pois Chiwoniso actuava no seu cenário todas as terças-feiras.

No Book Café enfrentei-me por vez primeira à sua voz ancestral, aos seus aturuxos (pururudza em shona) e a esse estranho e doce som que surgia dum instrumento invisibilizado pola cabaça que fazia de caixa de ressonância: a mbira, um instrumento que consiste numhas láminas metálicas sobre umha plataforma de madeira que se toca cos polegares e que noutros países de África chamam marimba.

Durante o concerto conhecim Tanyaradzwa, com quem filmaria umha película nove meses despois, e a sua amiga Patience e o produtor musical Matthias Bangura. E através deles, o músico Andy Brown e Tendai, irmá de Tanyaradzwa. Todos eles aparecem na película Tanyaradzwa (2009).

Tanyaradzwa em 2007

Tanyaradzwa em 2007

E de dous deles chegou-me a má nova da sua morte no seu momento: umha epidemia de cólera levou à encantadora Tendai; e Andy Brown, pai das filhas de Chiwoniso co que Tanyaradzwa colaborara fazendo os coros num dos seus discos, morreu dumha enfermidade em 2012.

Assi como Tanyaradzwa podia estar a falar durante horas e horas, com ou sem cámara diante, os seus correos electrónicos sempre fórom concisos e escassos. De aí que me chegasse a nova da existência dum filho seu através das redes sociais virtuais, e nom directamente por ela. Foi por essa mesma via que me inteirei da sua morte contra o final do 2014.

A morte de Tanyaradzwa entristeceu-me, mas nom me surprendeu em excesso: Tanya sempre foi umha mulher que viveu ao límite, umha menina da rua que nunca tivo um fogar estável, umha persoa de grande energia e capacidades que contodo em mais dumha ocasiom estivo ao bordo da morte. Ausente, eu, das redes sociais, busco os endereços electrónicos das poucas amizades comuns que me quedam para que me expliquem o acontecido a Tanya. Desboto a sua família paterna, que tanto dano lhe fijo. Tendai já nom está. A Patience há anos que lhe perdim a pista.

Mbira tocada por Tanya na película Tanyaradzwa

Mbira tocada por Tanya na película Tanyaradzwa

Escrevo-lhe a Chiwoniso, só para descobrir que esse endereço já nom existe. Busco informaçom sobre ela, coa esperança de topar a maneira de contactarmos, e dou-me de bruços coa notícia do seu falecimento, julho de 2013, um ano despois de Andy Brown, um ano antes de Tanyaradzwa.

Chiwoniso nacera nos EUA em 1976, filla do músico zimbabwés Dumisani Maraire, quem a levou de volta a África aos sete anos. Chiwoniso é conhecida e querida nom só em Zimbabwe, senom em toda a África austral. E é reconhecida a nível internacional: premio de Radio France, concerto de homenage em New York, o seu álbum Ancient Voices nas listas dos mellores discos vendidos na Europa… A última vez que a vim foi em Março de 2007 na sua casa de Harare, despois de ir ver um concerto do seu companheiro Comrade Fatso (Farai) num restaurante do bairro de Westgate. Que fica de todo isto em Tanyaradzwa? Um longo plano de Chiwoniso, falando e sorrindo, e duas fotografias, umha delas compartida com Tanyaradzwa.

 

 

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