Taka Iimura e a temporalidade

Taka Iimura ante a sua White Calligraphy na (S8) 5ª Mostra de Cinema Periférico (Foto: María Messeguer)

Taka Iimura ante a sua White Calligraphy na (S8) 5ª Mostra de Cinema Periférico (Foto: María Messeguer)

Alberte Pagán. O cineasta japonês Taka Iimura estivo estes dias no (S8) 5ª Mostra de Cinema Periférico da Corunha, umha oportunidade excepcional para revisitar da sua mao e no formato original a sua exigente e fermosa filmografia (ou, para quem desconheça a sua obra, oportunidade única de descobri-la de primeira mao).

Iimura é o pioneiro e quiçá máximo expoente do cinema experimental japonês. Começou a fazer películas dentro dumha estética lírica que lhe deve muito ao dadaismo e ao surrealismo. A sua fermosa e erótica (pola textura tanto como polo contido) Ai (Amor, 1962) conta cumha banda sonora doutra artista cercá aos postulados Fluxus, Yoko Ono. Foi Ai, coa ajuda de Ono, a que lhe abriu as portas dos EUA, onde pudo visionar aquelas películas underground que até entom só conhecia atravês da literatura. Ali, Iimura deixou-se levar pola poética das images, com claros homenages aos seus colegas americanos (aí estám  Face ou Filmmakers, ambas de 1969). filmmakersMas, despois duns poucos anos, reaccionou visceralmente ante o que el chama “a veneraçom pola image”, característica do lado mais sicodélico do underground, para adentrar-se por vieiros conceptuais nos que a image fotográfica está ausente: rejeitada a figuraçom, a pantalha recolhe unicamente luz e escuridade, a película consta tam só de colas transparentes ou negras, fotogramas brancos ou pretos. Surgem assi obras intensas e exigentes como 1 to 60 Seconds (1973) ou 24 Frames per Second (1975) nas que a sua preocupaçom principal é a temporalidade, a duraçom como dimensom concreta, e sua consciência por parte da audiência. Com ajuda de números (impressos ou riscados sobre a películas) e sons, Iimura pretende educar ao seu público sobre o concepto japonês ma, que signfica espazo e tempo à vez, intervalo espacial e intervalo temporal, distância entre dous pontos (espaciais ou temporais). iimuraFica claro no cinema, onde a duraçom mede-se em metros (umha medida espacial). O logro de Iimura é fazer-nos conscientes dela prescindido da image, e por tanto do movimento, que é quem modula o tempo. Mas esta pura experiência do tempo, curiosamente, e precisamente pola ausência de image (e de som), fai-nos estar extremadamente conscientes do espaço, da sala, do público do que formamos parte, dos pequenos ruídos, da respiraçom, dos latejos do nosso coraçom. O cinema Iimura, puro esqueleto formal e conceptual, é, por todo isto, dumha enorme beleza intelectual.

Esta entrada foi publicada en Alberte Pagán, Cine. Garda a ligazón permanente.

Deixa unha resposta

O teu enderezo electrónico non se publicará Os campos obrigatorios están marcados con *

Podes utilizar estas etiquetas e atributos HTML : <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>