O moucho cego

Sadegh Hedayat: Esta foto de Sadegh Hedayat decora o quarto do protagonista da película de Mazdak Taebi.

Sadegh Hedayat: Esta foto de Sadegh Hedayat decora o quarto do protagonista da película de Mazdak Taebi.

Alberte Pagán. Um pintor de estojos, fumador de ópio, recebe a visita dum desconhecido que di ser seu tio. Quando o anfitriom vai buscar vinho ve por um bufardo a cena primigénia do relato: umha mulher/anjo vestida de negro oferece umha flor a um velho yogi que senta baixo um cipreste; um rego os separa; ela quer cruzar mas tropeça e cai, ante os exagerados risos do velho. Esta é a cena que obsessiona ao home e que pinta nos estojos umha e outra vez. Pouco despois a mulher/anjo aparece na porta do narrador, entra na casa, deita-se no leito. Está morta, vermes na carne. O narrador, após deitar-se com ela, despeça-a e leva os anacos numha maleta até um cemitério coa ajuda dum cocheiro/trapeiro/enterrador. O moucho do título é a sombra do narrador na parede, a única que pode chegar a entender a sua narraçom, escrita “para asegurar-me de que estes sucessos nom som produto da minha imaginaçom”. Seguir lendo

Diana Toucedo em tres tempos

Diana Toucedo - Trinta LumesAlberte Pagán. 1. Ser de luz (2009, 5’). Diana Toucedo pede-me que apadrinhe umha projecçom de Trinta Lumes na sala Numax. Aproveito para revisar a primeira película que vim dela, Ser de luz, umha peça construída com material alheo na que a luz, as superposiçons e as transparências som protagonistas. As fontes originais das images som as abstracçons pintadas dos Preludes 1-6 (Stan Brakhage, 1996); material etnográfico tirado de Film ist. (Gustav Deutsch, 2002), à sua vez construída a partir de metrage encontrada; e a cena do sonho de El negro que tenía el alma blanca (Benito Perojo, 1927), que Deutsch recolhe no capítulo “Magia” da sua película. Seguir lendo

Narrativas erosionadas: Maurice Blanchot visto por Gary Hill

Thomas l’osbcure, de Maurice Blanchot.

Thomas l’osbcure, de Maurice Blanchot.

Alberte Pagán. Thomas o Obscuro (Maurice Blanchot, 1941) é umha novela ontológica sem argumento e sem personages, porque o Thomas do título nom existe ao tempo que é todos os homes e todas as criaturas, um ser proteico que pode cessar de ser humano para se converter em gato; e Anne é, pode ser, um desdobramento de Thomas que existe e nom existe, aranha e mulher, ela e a sua mai a um tempo. Anne aparece quando Thomas morre, quiçá el morre para que ela naza. Quando Thomas morre converte-se no cadáver de toda a humanidade. Nom som, ao tempo que existo, di Thomas. Penso, e portanto nom som. Thomas é um ser sem cabeça e sem braços e sem presença, cumha absoluta ausência de desejo. Seguir lendo

Matangi/Maya/M.I.A., un documental sobre a tamil refuxiada en Londres

1545418115-460_1d35838a-mia-posterGonzalo Trasbach. Logo de varios anos protagonizando polémicas, M.I.A. xa non necesita os medios, pois ela é a narradora da súa propia historia. Desde que subiu por vez primeira a un escenario emprega os micrófonos para rapear e meterse en leas e provocar acedos comentarios dos seus inimigos. En 1975, o seu país de orixe estaba en guerra civil entre o goberno e a minoría étnica tamil, á que pertencía e pertence a súa familia. O seu pai, fundador da resistencia tamil, enviou a súa familia para Europa. Seguir lendo